O que São Martinho, gansos e o Natal tem em comum?

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Desde o dia 11 de novembro até o Natal, ganso assado com batatas e repolho roxo é um prato festivo que não pode faltar nas mesas húngaras. Diz a tradição, que quem não come ganso neste dia sentirá fome o ano todo – “Aki Márton-napon libát nem eszik, egész éven át éhezik”.

Nos vilarejos os camponeses, examinando os ossos da ave, preveem se o inverno terá bastante neve (ossos longos e bem clarinhos) ou só chuva e lama (ossos escuros e curtos). Neste dia comemora-se o Dia de São Martinho (Szent Márton) e lendas envolvendo a vida deste santo deram origem a tradições que permanecem vivas até hoje em inúmeros países da Europa.

Nascido em 316 na Panônia, a Hungria de então, Martinho foi filho de um tribuno romano. Por ordem do pai, aos 15 anos entrou para a legião romana e, aos dezoito, já era soldado em Amiens, na França. No rigoroso inverno de 334, um mendigo cruzou o caminho de Martinho. O jovem soldado, que estava a cavalo, usando de sua espada cortou seu manto em dois, dando a metade ao pobre para que não sentisse frio.

À noite, Cristo teria aparecido a Martinho em sonho, trajando a metade do manto ofertado algumas horas antes. O futuro padroeiro dos apreciadores de vinho (sabiam disso?) foi batizado logo após seu sonho, deixou o exército e tornou-se missionário, depois sacerdote.

Mas o que tem ele a ver com os gansos? O clero francês afirmava que ele era o mais indicado para ser o bispo de Tours, mas Martinho, muito modesto, em princípio disse não. Levado a Tours com um subterfúgio pelos colegas, Martinho percebeu que queriam sagrá-lo bispo contra a sua vontade, escapou e foi se esconder num estábulo junto aos gansos.

Estes não calaram o bico e fizeram tal escândalo, que acabaram delatando a sua presença. Aí não teve jeito, Martinho entendeu isso como um sinal divino e recebeu a mitra em 371. Faleceu no dia 8 de novembro de 397 e foi enterrado na catedral de Tours três dias depois. É venerado em diversos países como a personificação da modéstia e da virtude cristã de amor ao próximo. Curiosamente, é também padroeiro dos bêbados.

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